Jogador de futebol e sua mãe são encontrados mortos após terremotos da Venezuela

Blog do Tony

Uma semana depois dos terremotos que sacudiram a Venezuela na noite de 24 de junho, o futebol do país confirma uma perda que dói mais que qualquer goleada: José Pimentel, jogador das categorias de base do Deportivo La Guaira, e sua mãe, Yurbis Berríos, foram encontrados mortos. O clube comunicou a morte nesta quarta-feira (1º), encerrando dias de angústia desde o desaparecimento do jovem após dois tremores quase simultâneos, de magnitudes 7,5 e 7,2, que devastaram cidades e derrubaram prédios como se fossem de papelão molhado.

Quem era José Pimentel

  • O Deportivo La Guaira descreveu José como alguém de “alma bondosa”, cuja “alegria e brilho viverão e permanecerão conosco para sempre”. É a linguagem oficial do luto — sincera, necessária e, infelizmente, repetida vezes demais por aqui.
  • O clube não informou a idade exata, apenas que José nasceu em 2010 e integrava as categorias de base de uma das principais equipes do futebol venezuelano. Talento em formação, história interrompida antes do apito inicial da vida adulta.

O que se sabe sobre a tragédia

  • José estava desaparecido desde 24 de junho, noite em que dois terremotos de grande magnitude atingiram o país. Para quem não acompanha sismologia no dia a dia: 7,5 e 7,2 são números grandes o suficiente para transformar mapas urbanos em quebra-cabeças.
  • O La Guaira não detalhou as circunstâncias nem o dia exato da morte de José e de sua mãe. Dado o contexto — centenas de prédios colapsados e operações de busca em massa —, é plausível que os corpos tenham sido localizados por equipes de resgate.
  • Segundo estimativas da ONU, cerca de 50 mil pessoas seguem desaparecidas. O governo venezuelano fala em mais de 2.200 mortos e milhares de feridos. Números que, como sempre em desastres desse porte, começam tímidos e sobem conforme a poeira baixa e a realidade aparece.

Buscas, números e a rotina do caos

  • Sete dias de procura, com forças venezuelanas e equipes internacionais vasculhando escombros. O manual é conhecido: correr contra o tempo, escorar o que resta de pé, calar o barulho das máquinas para ouvir qualquer sinal de vida. Às vezes dá certo. Quase sempre é tarde.
  • A Venezuela está no encontro de placas tectônicas — a natureza não lê comunicados oficiais e, quando resolve falar, é no idioma seco dos sismos. O problema não é o terremoto em si; é quando ele encontra cidades frágeis, códigos de construção esquecidos e manutenção que só existe em pastas de governo.

Opinião: quando a terra treme, caem também as certezas

É cruel dizer, mas necessário: a morte de um jovem atleta e de sua mãe expõe, de novo, a vulnerabilidade estrutural de um país onde o improviso frequentemente substitui a prevenção. Em catástrofes, as mensagens de condolências são corretas e humanas — “alma bondosa”, “brilho eterno” —, mas não consolam a pergunta incômoda: por que seguimos tão expostos ao previsível? Terremotos acontecem; desastres, esses sim, são construídos aos poucos, na soma de descuidos, cortes e prioridades tortas.

Encerramento

O futebol venezuelano perde uma promessa; uma família perde mãe e filho; um país soma mais duas vítimas a uma estatística que não deveria existir. Entre escombros e homenagens, fica o recado que a terra já deu várias vezes: prevenir custa menos do que reconstruir, e quase nada quando comparado ao preço de enterrar sonhos de 14, 15, 16 anos. O Blog do Tony segue acompanhando as buscas e os desdobramentos. Oxalá, da próxima vez, eu escreva sobre gols — não sobre epitáfios.

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