Quaest: 72% dos brasileiros dizem ter poucas ou muitas dívidas para pagar

Blog do Tony

Resumo do dia

Sete em cada dez brasileiros estão com contas para acertar — e os outros três provavelmente conhecem alguém que está. É o que mostra a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, que captou um país mais endividado, mais pessimista com a economia e com o carrinho do mercado pesando mais no bolso do que na mão.

O raio-x do bolso

  • Endividamento: 29% dizem ter muitas dívidas e 43% poucas dívidas — total de 72% de brasileiros endividados. Outros 28% afirmam não ter dívidas.
  • Tendência: em maio de 2025, eram 65% os que se diziam endividados. A conta, ao que parece, só cresce — como os juros do rotativo, mas sem cashback.
  • Metodologia: 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais, feitas de 9 a 13 de abril; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro no TSE BR-09285/2026. Levantamento encomendado pela Genial Investimentos e realizado pela Quaest.

Programas de renegociação: apoio alto, conhecimento baixo

  • 70% são a favor de o governo federal gastar mais com programas de renegociação de dívidas; 24% são contra; 6% não sabem/não responderam. Numa frase: a fatura pesa e o eleitor quer ajuda para parcelar o sufoco.
  • Desenrola Brasil: 46% aprovam o programa; 9% desaprovam; 45% não conhecem. Sim, quase metade do país não sabe do que se trata — o que diz menos sobre o programa e mais sobre a comunicação pública.
  • Contexto: o Desenrola Brasil é um programa federal lançado em 2023 pelo Ministério da Fazenda para renegociar dívidas de pessoas físicas inadimplentes. O nome promete “desenrolar”, mas, convenhamos, com 45% de desconhecimento, o nó ainda está firme.

Humor do consumidor: piora agora, esperança minguando

  • Situação atual: 50% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses (eram 48% em março e 43% em janeiro/fevereiro). Ou seja, a sensação de aperto vem avançando mês a mês.
  • Expectativas: os que acham que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses caíram de 48% (janeiro) para 40% (abril). Já os que esperam piora oscilaram: 28% (janeiro), 29% (fevereiro), 34% (março) e 32% (abril). Traduzindo: o otimismo está em dieta, o pessimismo belisca, e a incerteza segue forte.

Supermercado e poder de compra: a matemática do carrinho

  • Preços de alimentos: 72% dizem que subiram no mês anterior; 24% que ficaram iguais; 8% que caíram. O brasileiro não precisa de IPCA para saber que o pacote de arroz emagreceu antes dele.
  • Poder de compra: 71% afirmam comprar menos que há um ano; 11% compram mais; 17% não veem diferença. Com essa aritmética, o indicador de “fim do mês” continua vermelho.

Imposto de Renda: isenção até R$ 5 mil… e nada muda

A pesquisa perguntou se o eleitor foi beneficiado pela isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Não houve mudança em relação a março de 2026 — o que, em linguagem de boteco, significa: se teve alívio, ele não chegou à mesa da maioria.

O que está por trás

  • A fotografia da Quaest combina com o ambiente captado por outros termômetros de endividamento das famílias no país nos últimos anos, como a pesquisa de endividamento e inadimplência da CNC, que vem registrando patamares historicamente elevados. Não é preciso ser economista para entender o enredo: percepção de preços em alta + poder de compra em queda = mais dívidas e menos paciência.
  • Politicamente, o recado é direto: há apoio a programas de renegociação (70%), mas há um descompasso entre a intenção de política pública e sua eficácia percebida — quando quase metade nem conhece o principal programa da praça, a propaganda não está pagando o boleto.

Opinião do Tony

  • Sete em cada dez endividados é um número que grita mais alto do que qualquer discurso sobre “volta da confiança”. Enquanto o brasileiro perceber o supermercado como vilão e o salário como figurante, qualquer pacote com nome marqueteiro (“Desenrola”, “Renegocia”, “Respira”) será só isso: marketing. O país não precisa apenas “desenrolar” dívidas; precisa parar de enrolar renda e produtividade.
  • Em resumo: o eleitor aceita a mão do Estado para renegociar, mas quer resultado no prato, não no PowerPoint. E, do jeito que a expectativa vem minguando, a paciência também está em parcelamento automático.

Encerrando

A nova fotografia da Genial/Quaest traz uma mensagem clara: o Brasil de abril de 2026 está mais endividado do que no ano passado, mais descrente com a economia e mais aflito com o preço do feijão. Se o governo quiser virar esse jogo, precisará transformar programas em percepção e comunicação em realidade — antes que o otimismo seja mais um item em falta na gôndola.

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