Impedido de entrar nos EUA, presidente da Federação Iraniana de Futebol integroua Guarda Revolucionária

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Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) e vice-presidente da AFC, teve o visto negado pelos Estados Unidos e não poderá acompanhar a seleção do Irã em partidas no país. É o segundo carimbo de “volte outra hora” em poucas semanas: em abril, ele já havia sido barrado ao tentar ir ao Congresso da FIFA, em Vancouver, no Canadá. O motivo não é exatamente um mistério diplomático: Taj integrou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), classificada como organização terrorista por EUA e Canadá. Enquanto isso, os 26 jogadores iranianos receberam vistos “bate e volta”: entram para treinar e jogar, mas sem direito a pernoite. Resultado? Base em Tijuana e ponte aérea terrestre de fronteira a cada compromisso. Copa do Mundo com cara de excursão escolar — sem dormir fora.

Veto em série: EUA agora, Canadá antes

Segundo reportagem do Fantástico, a negativa americana repete o constrangimento no Canadá, quando Taj foi impedido de participar do Congresso da FIFA em Vancouver no mês passado. A razão é diretamente ligada ao histórico do dirigente: sua passagem pela Guarda Revolucionária, criada após a Revolução Islâmica de 1979. Em abril de 2026, ele foi barrado em solo canadense justamente por esses vínculos. Para quem ocupa um posto de destaque no futebol asiático, não deixa de ser pitoresco: autoridade do esporte global que não consegue passar pela imigração.

Quem é Mehdi Taj — e por que isso pesa

Mehdi Taj preside a FFIRI desde 2022 (em novo mandato) e foi eleito originalmente em 2016. Também é vice-presidente da Confederação Asiática de Futebol desde 2019. O ponto sensível é seu passado na IRGC — a Guarda Revolucionária, força militar e política do regime iraniano, cuja designação como organização terrorista pelos EUA (desde 2019) e pelo Canadá (em 2024) costuma acionar barreiras migratórias. Em outras palavras: não é nada pessoal, é só geopolítica aplicada à fila da imigração.

Seleção “bate e volta”: visto sem pernoite e base na fronteira

De acordo com o embaixador iraniano no México, os vistos concedidos aos 26 jogadores do Irã permitem apenas entradas temporárias para treinamentos e partidas em solo americano — sem autorização para passar a noite. Com isso, a delegação montou base em Tijuana e terá de cruzar a fronteira a cada compromisso. A equipe chegou neste domingo à cidade mexicana e ficará concentrada lá durante a primeira fase. Plano original? Hospedagem em Tucson, no Arizona, para jogar os três primeiros jogos nos EUA. Plano real? Uma logística de Copa com cronograma de retorno obrigatório — literalmente “joga e volta”.

Guerra e calendário: quando a bola disputa espaço com mísseis e nuvens

A mudança de base não é apenas capricho consular. O conflito deflagrado após bombardeios coordenados por forças americanas e israelenses contra o Irã alterou toda a logística da seleção. Some-se a isso o verão americano — calorão, tempestades, raios e paralisações previstas por autoridades e pela FIFA — e temos o roteiro completo para uma Copa onde o adversário pode ser tanto o ponta-direita quanto a cumulonimbus. O apito pode parar mais do que muito time que joga com três volantes.

Impacto esportivo: cansaço, recuperação e o “handicap” invisível

Cruzar fronteira em dia de jogo, somar horas de deslocamento e burocracia, e ainda manter rotina de recuperação e treino é um convite ao desgaste. Em torneio de tiro curto, cada detalhe pesa — e o Irã, que já entra sob tensão geopolítica, começa perdendo no quesito logística. É justo? No futebol, justiça é um conceito tão maleável quanto acréscimo de arbitragem. Mas não dá para ignorar que, enquanto rivais dormem em centros de alto rendimento nos EUA, os iranianos encaram uma espécie de maratona burocrática com chuteiras.

O que observar daqui para frente

  • Diplomacia e esporte: haverá flexibilização para dirigentes? Por ora, o recado foi claro para Taj.
  • Logística e desempenho: como a rotina “bate e volta” afetará a performance? A fadiga não lê manual tático.
  • Clima: prepare-se para paralisações e jogos interrompidos — e para debates sobre integridade competitiva.
  • FIFA: o quanto a entidade pode (ou quer) interceder diante de um cenário que mistura segurança, política migratória e calendário?

Opinião do Tony

Quando a geopolítica apita o início da partida, o futebol corre atrás do prejuízo. Mehdi Taj virou persona non grata não por um cartão vermelho em campo, mas por um passado na Guarda Revolucionária — e, convenhamos, isso costuma pesar mais que falta violenta. Já a seleção do Irã ganhou um modelo inédito de concentração: dormir no México, jogar nos EUA e rezar para a fila da fronteira ser mais rápida que um contra-ataque. Se a FIFA quisesse um estudo de caso sobre como política externa, clima e logística podem desfigurar um Mundial, 2026 está servindo — com um toque de humor ácido: a Copa da casa grande com visitante que não pode dormir no sofá.

Encerramento

Entre vetos a dirigentes, vistos sem pernoite, guerra em pano de fundo e previsão de tempestades, o Irã disputa uma Copa com obstáculos que não cabem na prancheta do técnico. A bola rola, mas o cronômetro também corre para imigração, diplomacia e meteorologia. E, nessa tríplice jornada, o placar tende a ser ingrato.

Fontes consultadas

  • Fantástico/g1: negativa de visto a Mehdi Taj nos EUA; barrado no Congresso da FIFA em Vancouver; chegada da seleção a Tijuana; vistos dos 26 jogadores com entradas temporárias e sem pernoite; logística alterada após bombardeios de forças americanas e israelenses; riscos climáticos no verão dos EUA e possíveis paralisações.
  • Wikipedia: Mehdi Taj (histórico como dirigente e vínculo com a IRGC); Islamic Revolutionary Guard Corps (criação pós-1979 e designação como organização terrorista por EUA e Canadá).
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