Por Blog do Tony
Duas empreendedoras da Zona Leste de São Paulo resolveram driblar o óbvio e marcaram um golaço: transformaram a devoção nacional por futebol em um gastrobar que mistura telões, grafites de craques e cardápio caprichado — com direito a drinques batizados de Messi e Cristiano Ronaldo. Resultado? Ticket médio na casa dos R$ 80, um time de 25 funcionários e faturamento anual de R$ 1,5 milhão no Itaim Paulista. Para a Copa do Mundo, o plano é ampliar a capacidade de 120 para 200 clientes e, de quebra, abrir uma nova unidade no Centro. Se o VAR confirmar, vem mais crescimento por aí.
Do baile ao gastrobar: a virada de jogo
- A semente do negócio veio com uma balada temática de futebol criada por Stefany Marques. O “primeiro tempo” foi bom, mas, como todo esquema que envelhece rápido, o fôlego caiu — a própria fundadora admite que balada costuma ter prazo de validade de dois anos antes da curva descendente.
- Entra em campo Fernanda Tardochi. O apoio na reforma virou sociedade, e nasceu o Campinho Gastrobar, com Stefany na gestão financeira e compras, e Fernanda à frente do marketing e da equipe. Divisão clara de funções — algo que muita empresa grande não consegue fazer sem precisar de prorrogação.
- Para tirar o conceito do lugar-comum dos bares esportivos, elas contrataram um chef com passagens por casas renomadas da capital. A ideia: clima de estádio com comida de respeito, evitando que o público da Zona Leste precise atravessar a cidade para comer bem — e sem depender de virada de última hora na linha do trem.
Cardápio de craques, salão de arena
- O Campinho aposta pesado na experiência: grafites de jogadores nas paredes, telões pelo salão e pratos e drinques batizados com nomes de estrelas do futebol mundial. Sim, tem Messi e Cristiano Ronaldo no menu — um clássico que divide torcidas, mas soma no caixa.
- Para a Copa, vem sobremesa inspirada nas cores da seleção brasileira. Marketing básico, execução que faz diferença: quando o bar acerta o tema e a cozinha entrega, o público não precisa de replay para entender onde vai assistir aos jogos.
Zona Leste no mapa gastronômico
- O gastrobar fica no Itaim Paulista, distrito da Zona Leste servido pela CPTM (Linha 12) e tradicionalmente fora do radar dos endereços “de grife” da cidade. Ao apostar em sofisticação na quebrada, as sócias miram um público que quer boa mesa sem pedágio na Marginal.
- Minha opinião? Levar boa gastronomia para onde o consumidor está não é caridade; é estratégia. Enquanto muita gente insiste em centralizar a oferta, quem conhece a rotina da região (Stefany é filha de donos de restaurante) entende que conveniência é rainha — e gol feito sem goleiro.
Olho na Copa (e no placar)
- As empresárias planejam aumentar a capacidade de 120 para 200 clientes, investir em decoração temática, mais telões e apresentações musicais durante os jogos. Não é só enfeite: é ampliar ticket, giro e tempo de permanência — o tripé de quem quer faturar no período.
- Contexto: a Copa do Mundo de 2026 acontecerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá, com 48 seleções. Traduzindo do FIFAês: mais jogos, mais janelas de transmissão, mais oportunidades para bares lotarem. A Argentina é a atual campeã (2022). Ou seja, o apetite do torcedor não deve diminuir — e o de consumo muito menos.
- Cautela de comentarista: ampliar capacidade é ótimo no papel; na prática, exige operação afiada. Telão enche, cozinha atrasa. Se o Campinho mantiver padrão de cozinha e serviço com casa cheia, a tabela do caixa agradece.
Próximo lance: expansão para o Centro
- Além do embalo da Copa, Stefany e Fernanda miram uma unidade no Centro de São Paulo para alcançar um público maior. O desafio não é pequeno: replicar atmosfera, atendimento e consistência de cozinha sem transformar o “gastro” em só “bar”.
- Com 25 funcionários e processos já divididos, elas têm a estrutura para tentar o próximo passo. Mas fica a lembrança: Messi e CR7 podem batizar drinque; quem paga boleto é execução.
Fechamento
O Campinho Gastrobar entendeu o óbvio que muita gente ignora: futebol não é só assunto de mesa de bar — é modelo de negócio quando somado a boa gastronomia, serviço e identidade. Em pleno Itaim Paulista, a casa provou que dá para vender experiência sem pedir cartão amarelo ao cliente. Se a expansão vier com a mesma disciplina tática, o placar de R$ 1,5 milhão pode virar só o primeiro tempo. E, convenhamos, quando o Brasil entrar em campo, quem tiver mais telão, mais organização e menos desculpa vai levantar a taça do faturamento.